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Com pequenas colaborações de muita gente, via internet, projetos saem do papel

Com pequenas colaborações de muita gente, via internet, projetos saem do papelPessoas com um projeto em baixo do braço têm recorrido à mobilização via internet para angariar os recursos que ajudarão a tirar sua ideia do papel. A prática tem nome: crowdfunding, ou financiamento coletivo, em português. Consiste em atrair grande número de doações em valores pequenos para projetos que teriam dificuldades de serem financiados por investidores tradicionais.

Não chega a ser uma novidade. O mesmo princípio funciona, há anos, para as modestas vaquinhas entre amigos, como para campanhas de cifras milionárias, como o Criança Esperança. A diferença é o uso da internet. "A web facilita por causa do pagamento, que é rápido, e ajuda também na divulgação, porque ela transmite as coisas pra muita gente em pouco tempo. A escala em que a coisa acontece é maior", observa Diego Reeberg, co-fundador do site Catarse, plataforma de crowdfunding. É em sites como esse, no Brasil e no exterior, que a prática vem ganhando força.

No país, já são mais de dez sites voltados para esse fim, a maioria lançada este ano. O funcionamento de todos é semelhante: depois de passar por uma espécie de curadoria, que avalia a adequação da proposta ao perfil do site e a pertinência do orçamento, o projeto entra no ar. Dentro de um período determinado, ocorre a campanha para captação do dinheiro. Caso a meta não seja atingida, quem contribuiu pode optar por receber o dinheiro de volta ou transferir o valor para outro projeto.

Projetos culturais são maioria,
Mas há espaço para propostas jornalísticas, games educativos e projetos sociais, que já têm plataforma exclusiva no país, o site Senso Incomum. "Um dos objetivos é ser um canal para captar recursos para organizações. As pessoas gostam de ajudar, mas ainda não sabem direito como pedir", afirma Edu Sangion, co-fundador do site.

Se todo o valor é arrecadado, quem ajudou recebe uma recompensa, que varia conforme o valor doado. Colaborar com o orçamento de um filme, por exemplo, pode render o nome nos créditos do filme, ingresso para pré-estreia ou viagem para acompanhar a exibição do longa em festivais nacionais e internacionais. "A gente faz algo entre o comércio e o mecenato", compara Diego.

Norte-americanos já fazem
Enquanto as plataformas daqui estão nos seus primeiros meses, nos Estados Unidos há sites "veteranos", como o Kickstarter, no ar desde 2009 e referência desse modelo de financiamento. No ano passado, por intermédio dele, cerca de quatro mil projetos foram financiados com US$27 milhões em colaborações. Lá fora, a segmentação dos sites também é mais comum. Exemplos são o DonorsChoose, para compra de material para escolas públicas, e o SciFlies, para contribuição com pesquisas científicas.

Diego, que espera que o Catarse ajude a captar ao menos R$1 milhão até o fim deste ano (por enquanto foram R$80 mil), considera que ainda é preciso tempo para que o país absorva a cultura do financiamento coletivo, mas aposta que ainda este ano a prática ganhe força. "As pessoas têm que entender que não é só doação, elas ganham algo em troca. Elas também se preocupam com o destino da doação, mas, à medida que os projetos forem bem sucedidos, vão aceitar o crowdfunding".