Prefeitos de cidades gaúchas não conhecem os ODM
Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), são desconhecidos por grande parte dos prefeitos dos 496 municípios gaúchos. A constatação é dos integrantes do comitê Nós Podemos Rio Grande do Sul que, na última quinta-feira (22 de outubro), discutiram o estudo realizado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) sobre as metas estabelecidas pela ONU. Caso os gestores municipais continuem com este desconhecimento, o Rio Grande do Sul não atingirá, até 2015, as metas estabelecidas para a redução da extrema pobreza e da fome.
O sociólogo da FEE Salvatore Santagada diz que o diagnóstico realizado nos 496 municípios do Rio Grande do Sul entre 1991 e 2005 aponta que 11 das 18 metas não apresentaram resultados favoráveis. "Mantida a tendência, não serão atingidos os objetivos propostos pelas Nações Unidas daqui a seis anos", comenta. Em outros cinco objetivos, as cidades gaúchas têm bom desempenho e estão a caminho de alcançá-los. Apenas dois indicadores tiveram a classificação de meta atingida: proporção entre homens e mulheres no Ensino Fundamental e relação entre homens e mulheres alfabetizados com idade entre 15 e 24 anos.
Os piores desempenhos nas cidades gaúchas estão relacionados à saúde e ao saneamento básico. Dos oito aspectos avaliados nestas áreas, apenas o que se refere à diminuição de residências sem acesso a uma fonte de água ligada à rede geral está classificado na situação a caminho de atingir a meta.
Os demais (mortalidade de crianças menores de cinco anos; mortalidade infantil; mortalidade materna; incidência de Aids entre mulheres de 15 a 24 anos; incidência de Aids por município; mortalidade ligada à tuberculose e casas sem acesso à rede de esgoto) registram avanço lento, nenhuma mudança e até mesmo retrocesso. "A saúde e o saneamento tiveram um decréscimo muito grande nos municípios", comenta Santagada.
O economista da FEE Hélios Puig Gonzalez diz que apesar do quadro preocupante, o estudo mostra que é possível, com pesados investimentos do poder público, chegar em 2015 com todos os municípios atingindo as metas.
Para mudar este quadro, os integrantes do comitê pretendem marcar uma reunião com o presidente da Federação das Associações de Municípios (Famurs), Marcus Vinícius Vieira de Almeida, para que a entidade faça a divulgação das propostas entre os novos prefeitos que assumiram em 2008. A coordenadora de assistência social da Famurs, Nádia Ferraz, explica que o maior desafio é fazer com que as prefeituras conheçam as propostas. "Temos que articular com o comitê como será feito o acesso dos municípios às propostas das Nações Unidas", destaca.
FONTE: Nós Podemos RS/ Jornal do Comércio





















