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ONGs brasileiras ganham o prêmio ambiental Equatorial 2010

Duas organizações não governamentais brasileiras estão entre os 25 vencedores do Prêmio Equatorial 2010, uma iniciativa internacional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) criada para destacar projetos comunitários que mesclem preservação ambiental e geração de renda. Uma delas é a Associação dos Pequenos Agrossilvicultores do Projeto Reca, de Rondônia, também vencedora da 2.ª edição do Prêmio ODM Brasil. O Projeto Reca capacita pequenos agricultores a cultivar e vender produtos orgânicos.

A entrega da premiação, em evento realizado na segunda-feira (20/9/10), em Nova Iorque, reuniu personalidades como a administradora internacional do PNUD, Helen Clark, o diretor-executivo do PNUMA (Programa da ONU para o Meio Ambiente) e a modelo Gisele Bündchen, embaixadora da Boa Vontade do PNUMA.

A outra organização premiada no Equatorial 2010 é a Carnaúba Viva, do Rio Grande do Norte. A prática oferece treinamento aos lavradores para plantio da carnaúba e processamento de seus derivados.

Esta foi a quinta edição do Prêmio Equatorial, que é promovido de dois em dois anos. Os 25 ganhadores receberão US$ 5 mil. Cinco foram contemplados com um reconhecimento especial e obterão mais US$ 20 mil.

Projeto Reca
Dos premiados deste ano, a Associação dos Pequenos Agrossilvicultores do Projeto Reca tem como norte a capacitação, mas atua em várias frentes. Por meio da educação ambiental, estimula os agricultores a se engajarem na produção orgânica certificada. Mantém parceria com instituições de pesquisa e ministério a fim de criar novos mercados para os orgânicos. Ensina técnicas de marketing e comercialização, e dispõe de um centro para exibição e venda de produtos (como polpa de frutas, repolho, sementes, óleos e cosméticos). Suas atividades, segundo relatório enviado à comissão do prêmio, ajudaram a restaurar mais de 1.500 hectares de floresta, deram assistência técnica a 200 famílias e aumentaram a segurança alimentar dos beneficiados.

O Carnaúba Viva também tem foco na capacitação, mas está relacionado a manejo de derivados dessa árvore típica do Nordeste brasileiro. As fibras da planta, por exemplo, podem ser usadas como isolantes (substituindo as mantas de alumínio) e em aplicações no setor de petróleo e gás. A ONG, ao mesmo tempo, promove reflorestamento e estimula atividades culturais, artesanais e esportivas. A receita dos produtores com cera é entre 150% e 300% maior que a obtida com outros meios na região. São beneficiadas 750 pessoas (80% delas mulheres).

Qualidade de vida
"Os vencedores do prêmio Equatorial estão nos inspirando a fazer o nosso melhor, cada um do seu jeito e em sua parte do mundo, para proteger a capacidade do nosso planeta em oferecer uma qualidade digna de vida humana", disse a modelo brasileira Gisele Bündchen.

"A conservação da biodiversidade não será efetiva sem o comprometimento de comunidades locais, que constituem os principais usuários dos recursos naturais do planeta ", declarou Helen Clark.

Oito projetos brasileiros já haviam vencido nas edições anteriores, mas apenas dois obtiveram o reconhecimento especial: a Associação Vida Verde de Amazônia e Mamirauá.